O que podemos aprender com as melhores escolas do Brasil?

As melhores escolas públicas do Brasil, em termos de notas do Ideb e Saeb, estão no estado do Ceará, que optou, há muitos anos, por fazer um investimento maciço na educação, aumentando o direcionamento de parte da arrecadação do ICMS para a área. Mas não foi apenas o aumento do investimento financeiro que elevou a taxa de aprovação e a qualidade do ensino no estado natal de Belchior. O que realmente impactou — com a participação indireta desse aporte financeiro — foi o engajamento da população no projeto pedagógico adotado em cada ano escolar.

A família participa da educação do estudante e a escola entrega resultados, trazendo um jogo de ganha-ganha para ambas as partes. Mas não é só isso: as melhores escolas, para receberem recursos adicionais, precisam ajudar as instituições com indicadores mais baixos. E não há motivo para vergonha ou sentimento de incompetência ao pedir ajuda nesses quesitos: a experiência positiva dos melhores professores e gestores é motivo de orgulho para os cearenses.

Para as demais regiões, é preciso uma imersão profunda no sistema do Ceará: como ele funciona, como podemos adaptá-lo para outras realidades e, principalmente, como demonstrar para o aluno que o sistema de ensino pode se reinventar para trazer um real senso de utilidade nos mais de 13 anos de formação, desde o ensino fundamental até o ensino médio?

São perguntas que trazem a compreensão de que a tarefa de ampliar a qualidade da educação, aproximando as famílias e os estudantes, não é impossível: se o Ceará conseguiu, outros estados também conseguem. Claro que não é uma questão a ser resolvida rapidamente, mas com planejamento e assertividade, grande parte do desafio pode ser vencido, respeitando as adaptações necessárias para cada região.